Toda sociedade se inicia como um casamento, repleto de ideais, projetos, sonhos, objetivos em comum e a vontade de permanecer sempre juntos. Assim como ocorre em alguns casamentos, em que tudo começa sob a plenitude da felicidade e de repente parece que tudo muda, em uma sociedade as pessoas subitamente parecem não se conhecer mais, de uma hora para outra os interesses em comum mudaram, os sócios parecem agora estranhos um para o outro, criam-se assuntos proibidos. E então se perguntam: como chegamos a este ponto? Como em casamentos, sociedades envolvem pessoas com histórias de vida e experiências diferentes e percepções divergentes. Determinadas questões, entretanto, geram conflitos e embates simplesmente porque não foram previamente definidas ou negociadas no início da sociedade e foram incorporadas à rotina automaticamente. Tudo isso é difícil de ser tratado e se agrava se a situação financeira não está boa ou quando, apesar de estar muito bem, não se pode controlar algumas vaidades. Atuando junto a diversas empresas foi possível constatar o quanto questões simples, que poderiam ser solucionadas rápida e apropriadamente, tornam-se “muralhas” e criam um ambiente de “campo minado” a quem se atreve permeá-las. Questões como: contratar ou não familiares, uso e acumulo de pontos em programas de fidelidade ou uso de recursos exclusivos da empresa acabam se tornando palco de acirradas batalhas. Isso sem falar na campeã dos embates: a transparência! Muito cobrada. Pouco exercida. Ninguém é capaz de prever possíveis situações futuras. Divergências surgirão porque somos diferentes um dos outros! Por isso, exercitar ações simples previamente acordadas como propor análises sobre possibilidades futuras, que se não ajustadas podem causar incômodos; propor o diálogo dentro de foros apropriados, onde possam ser definidas regras e princípios de forma organizada, podem ser a chave para a longevidade da instituição. Uma ferramenta muito utilizada é o acordo de sócios. Como ‘um manual’ de diretrizes, elaborado pelos sócios para a sociedade, disciplina decisões a partir de variadas situações planejadas e prevê: formas de distribuição de lucros, aporte de sócios, aposentadoria, uso de bens da empresa, investimentos, contratação de familiares, concessão de empréstimos e etc.! Construir um acordo de sócios com apoio de um profissional que conheça as ferramentas eficazes vem sendo um importante passo na manutenção e perpetuação de um negócio, que, assim como um casamento, é feito para durar.

Autor: Carlos Felipe Camiloti Fabrin é advogado com mais de 18 anos de militância. Possui vasta atuação na área de sucessão em empresas familiares, formação de holdings, acordo de sócios e sociedades anônimas. É sócio da Oliveira e Olivi Advogados e Associados desde 2008.
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