Toda empresa, de estrutura familiar ou não, mais cedo ou mais tarde passará por um processo de sucessão! Seja através da passagem das quotas ou ações para os filhos ou outro herdeiro legal, seja para um, digamos, gestor profissional, como, por exemplo, um conselho de administração profissional ou, finalmente, através da venda total ou parcial de suas participações para outros players. Assim, não raro, os patriarcas que trabalharam duro a vida toda para a construção de seu patrimônio, de repente, se dão conta de que não tem sucessor apto a substituí-lo ou que ainda não esteja preparado ninguém para continuar sua missão empresarial. Como profissional que trata a quinze anos do direito empresarial e atuante diretamente nos corpos diretivos das empresas, a experiência mostrou, até então, que empresários, familiares e profissionais em geral não se apresentam, em sua maioria, preparados para iniciar, acompanhar e finalizar o processo de sucessão. Simples e preocupante! Este artigo, portanto, tem a missão de chamar a atenção para a reflexão de patriarcas e herdeiros a pensar em e quando iniciar esta caminhada, destacando exemplos que são comumente desenvolvidos em trabalhos por profissionais preparados para o seu desenvolvimento e conclusão. Vale destacar então, que neste processo de sucessão os seus participantes escolhem se serão herdeiros ou sucessores, tal como os especialistas da área costumam os diferenciar. Como já dito outrora por vários outros especialistas no assunto, estas terminologias se diferem quanto ao posicionamento, preparação e interesse pelas questões que envolvem seu patrimônio, tanto físico como intelectual, patrimônios da empresa. Enquanto o sucessor se prepara para liderar o negócio, o herdeiro aguarda para receber seus "direitos". Herdeiros são aquelas pessoas que se preocupam em receber um patrimônio e apenas o resultado, em geral financeiro, do negócio, de forma fria e sem maiores preocupações técnicas. Sucessores são aqueles que efetivamente se preparam para “receber” o “negócio” da família; estão focados no crescimento profissional, próprio, do negócio, da família e de seus pares; preocupam-se com a expansão e perenização da empresa e, também, sua felicidade pessoal. Pensar e agir diferente: ser agente modificador e diferenciador para servir de exemplo aos demais interessados (acionistas, fornecedores, colaboradores, clientes e instituições públicas) independentemente da relação destes com a empresa. Agir profissionalmente! Estudar o mercado onde a empresa está inserida; conhecer todo o negócio; entende-lo de fato; conhecer seus sócios; conhecer os princípios da empresa; o que ela produz, (produtos/conhecimento) e o que ela (empresa) tem de melhor para oferecer aos interessados em sua existência; quem são seus fornecedores; quem são seus clientes e colaboradores; conhecer os números de sua produção; seus resultados; seu passivo oculto; seus custos operacionais; suas potencialidades; suas dificuldades; suas necessidades de capital (financeiro e humano) e as regras tributárias a que se submetem; só depois de conhecer, refletir, entender e praticar todo esse conjunto de ações, dentre outras é que podemos ousar a dizer que um sucessor está se preparando de fato para suceder. Pode-se dizer que sem estes passos, aqueles que pretendem suceder raramente conseguirão fazê-lo com sucesso e por isso, precisam da manutenção de um plano de sucessão, seja para a substituição de pessoas da família, fundadores ou até mesmo colaboradores que trabalham desde longa data na empresa. Se um patriarca ou profissional pretende ser sucedido deveria deixar em sua carta aos sucessores a luz da experiência vivida por ele na empresa e proporcionar o máximo de oportunidades para o conhecimento e participação aos seus sucessores em seu negócio, mas o fazer de forma orientada. Um acompanhamento profissional é sempre aconselhável, a fim de que pais, herdeiros e sucessores não se percam no caminho do conhecimento e das emoções, pois afinal, o mais importante é que todos possam ser felizes.
Autor: Carlos Felipe Camiloti Fabrin é advogado com mais de 18 anos de militância. Possui vasta atuação na área de sucessão em empresas familiares, formação de holdings, acordo de sócios e sociedades anônimas. É sócio da Oliveira e Olivi Advogados e Associados desde 2008.
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